quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Lendo memórias

Lembro-me da minha infância basicamente por causa das coisas que meu pai gostava de ler para mim e para os meus irmãos. Ele não era um bom leitor, pois não teve muita oportunidade de estudar, mas sempre tentou ao máximo contar as histórias do seu jeito e era desse modo que eu gostava de ouvir.
Quando eu comecei a aprender a ler, meu pai fazia de tudo para influenciar positivamente na minha leitura, chegava do trabalho todos os dias com um gibi ou até um mangá diferente.
E esperar ele chegar com algo novo para eu ler era o ponto alto do meu dia. Ele tinha um livrinho com piadas toscas e trocadilhos ruins que eu sempre lia para fazer as pessoas rirem e foi exatamente por causa desses momentos que eu tomei gosto pela leitura.

A leitura me traz memórias da minha infância que me confortam, momentos que não existem hoje e me acalmam, se não fosse pelo meu pai, eu sei que jamais criaria gosto pela leitura.
Victor Augusto S. da Silva

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Memórias

Quando penso na minha infância e na relação desta com a literatura, uma das lembranças mais remotas que me vêm à mente é a de meus pais, que desde pequenina influenciava em casa a prática e o acesso à cultura.
Hoje, aos meus dezoito anos e meio de idade, lembro dos momentos que passei há anos atrás com muita gratidão e ausência. Talvez esse elo de sentimentos surge no momento que percebo que não voltará mais ou quando tenho que carregar o peso de ter que ser alguém sabendo que tudo que vivi contribuirá para meu crescimento.
Meu pai é meu melhor amigo e por me levar em teatros mensalmente, o da estrelinha marcou minha infância, não me recordo bem mas tentei procura-lo por muito tempo e desisti, talvez o maior encanto seja ver tudo com um olhar de criança. Desde então começou a me chamar de estrelinha, sim, uma estrelinha que tem um brilho especial, mas que às vezes por tentar se enquadrar no céu azul, apaga sua luz interior.
Lembro-me bem de ver meu pai chegando em casa, com seu corpo cansado, sua roupa amassada após mais um dia de exaustão, mas com os olhos radiantes e esperançosos, e como de costume, nos chamava para ver pôr do sol. Ou quantas vezes acabava a energia em casa e nos reuníamos na sala de estar para contar histórias, recitar poemas, nos apresentar músicas antigas com uma sensibilidade de tocar o fundo da alma.
Lembro de minha querida mãezinha, que é também minha melhor amiga, deitar-se ao final da tarde na minha cama e contar historinhas de contos de fadas, todos os contos possíveis e quando esquecia, inventava e as horas passavam rapidamente. E que um dia, percebendo que eu estava triste, deitou-se na minha cama e disse “filha, se estiver feliz escreva, cante; se estiver triste, ora”. Que conselho forte, uau!
Essas são lembranças significativas para mim e é um orgulho lembra-las com gratidão, pois eu era uma criança solitária e até hoje meu refúgio ainda é a literatura.

Eneida de Castro Silva


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Infância e Literatura

Escrever sobre minha infância não é nada fácil para mim. São muitas memórias reprimidas, muitas coisas que não lembro mais. Mas quando penso em literatura, lembro primeiramente das estórias e histórias que meu pai me contava quase todas as noites antes de dormirmos. Ele inventava a maioria das estórias, e eu achava interessante a forma como ele atribuía características humanas aos animais. A estória que eu melhor me recordo é a do “tatuzinho”. Ele nunca concluía uma estória em uma noite, sempre as cortando em um momento de grande suspense, me deixando ansioso para saber o que aconteceria no próximo capítulo. Foi assim com a do “tatuzinho” também.
Lembro-me de quando eu estava ainda no segundo ano do ensino fundamental, e participei de uma olimpíada de tabuada na escola cujo prêmio para o primeiro colocado era um carrinho magnífico. Eu me esforcei bastante para conseguir vencer e levar para casa aquele tão desejado brinquedo, mas acabei ficando em segundo lugar e levei para casa como prêmio um livro. Esse foi o primeiro contato que eu me lembro de ter com um livro de literatura. Fiquei muito decepcionado, pois eu não queria um livro e, sim, o carrinho. O livro era “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”. Comecei a ler e achei a leitura muito difícil. Eu não entendia o significado da maior parte das palavras, e desisti de concluir a leitura. Nesse mesmo período de tempo, o meu irmão ganhou uma coleção de livros literários na escola, leu alguns e gostou muito. Ao ver que ele gostou, peguei alguns livros com recomendação dele para ler e desses eu gostei muito. O principal deles contava a estória de “Alice no país das maravilhas”.
A partir do 5º ano do ensino fundamental, eu mudei de escola. Essa nova escola tinha um grande diferencial em relação à anterior: uma biblioteca! Eu nunca tinha entrado em uma antes, e por mais simples que aquela biblioteca era, eu fiquei surpreso! Um dos livros que mais me chamou atenção, foi “Zoom”, de Istvan Banyai. Era um livro ilustrativo que não tinha qualquer texto. Mas as ilustrações faziam minha imaginação trabalhar muito. Fiquei várias horas folheando aquele livro. O autor mostrava em cada página a mesma imagem de uma perspectiva mais distante.
Mesmo estando em uma escola com biblioteca, os professores de Língua Portuguesa não incentivaram os alunos a fazerem um bom proveito desse recurso, fazendo com que a biblioteca se tornasse, para mim, um ambiente para quando não tinha alguma aula (o que acontecia com muita frequência). Nesse período, o que eu mais lia eram os gibis. Personagens da turma da Mônica e do Zé Carioca marcaram muito a minha infância.
Enfim, essa foi a minha relação com a literatura na infância, com dificuldades com as palavras, com amor pelas palavras, com ausência de estímulo ao hábito da leitura em grande parte das escolas. Espero poder fazer a diferença no mundo das Letras quando eu me formar.

EzequieI FaIeiro

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Um anjo de professora, um exemplo

Tenho grandes e preciosas lembranças da minha infância, mais precisamente dos anos em que frequentava clandestinamente as aulas da minha tia-professora Vanja, irmã do meu pai. Quando digo clandestinamente é porque eu não era aluna dela de verdade, mas carinhosamente atendendo ao meu pedido, levava-me para assistir as aulas que ministrava em um colégio municipal em uma pequena cidade do interior da Bahia.
Consigo lembrar-me com nítida precisão do sorriso dela quando contava suas histórias na sala de aula, da melodia de sua voz quando cantava uma canção para a turma entre as várias que faziam parte do seu repertório de música infantil. Para alguns não poderia ser considerada uma cantora, mas para nós crianças aquela voz era o despertar para um mundo de alegria, fantasia e sonho, era como a voz de um anjo que nos levava a outra dimensão.
Nos sentávamos em círculo, então, ela começava a contar suas histórias, cada uma mais empolgante do que a outra, enquanto falava ela gesticulava, girando no centro dele, olhando para cada um de nós, mudando a entonação da voz quando precisava, nos envolvendo em um mundo fantástico da imaginação. E eu realmente viajava. Foi ela quem me deu meu primeiro livro, acho que sequer lembra-se disso, certamente nem sabe a importância que teve na minha construção como leitora.
Tia Vanja não era apenas uma professora que preocupava-se somente em ensinar as letras e números, ela ia além, era como uma mãe para algumas daquelas crianças, era como um anjo que transmitia esperança e sabedoria. Ela ensinava muito mais, ela ensinava amor, solidariedade, respeito e união. Crianças que sem perspectiva de ter uma festa de aniversário em casa por conta da falta de recursos, se deparavam com uma festa carinhosamente preparada por ela. Era lindo ver o brilho nos olhos outrora tão apagados pela desesperança, quando entrava na sala de aula decorada com esmero pela professora. Ela fazia um bolo de festa, docinhos, decorava a sala com balões e ainda lhes dava um presente. As vezes eram muitos aniversariantes no mês, então todos comemoravam com uma grande festa.
Hoje, neste momento de pura nostalgia, recordo-me com imenso carinho que um dia quis ser como ela, que um dia sonhei em ver olhos tão brilhantes olhando para mim como pedras preciosas cheias de esperança e amor como daquelas crianças. Era lindo de se ver, hoje é lindo de recordar.
Por causa dela passei a amar os livros, as letras, às histórias contidas neles, a viajar nas páginas e a inventar minhas próprias histórias.  Porque ela me mostrou um mundo além daquele que eu conhecia hoje invento meu próprio mundo, arrisco-me nas letras e viajo no meu universo de imaginação.

Adriana Brasil


terça-feira, 4 de julho de 2017

Época escolar

Recordo-me que, na época em que comecei a estudar, com sete para oito anos, minha mãe me acordava muito cedo sempre escutando a Rádio Terra, que dizia bem-humorada para as crianças não se atrasarem para a escola. A minha relação com a primeira escola foi agradável, porém eu tinha dificuldades para acompanhar algumas matérias, principalmente Matemática.
Entre a passagem da primeira para a segunda escola, tive uma experiência de aprendizagem com minha mãe, que me ensinava caligrafia e minha prima, que me ensinou a ler complementando o papel da escola, já que nesse período eu não frequentava o ambiente escolar, por motivos que não me recordo.
Quando eu tinha mais ou menos de nove para dez anos, entrei na minha segunda escola. Nesta Instituição os professores usavam uma cartilha didática que continha estórias e lendas que eram seguidas por exercícios que orientavam a aprendizagem do aluno (até quatro anos atrás eu ainda tinha essa cartilha). Lembro-me de que na 3ª série o professor de matemática pediu para os alunos que encaixassem alguma música para a aprendizagem da tabuada e eu inventei a música “2x2=4 indiozinhos,2x3=6...” e, claro, tive que cantar em sala de aula. Essa experiência foi interessante porque estimulou a criatividade dos alunos relacionando a música com a matéria.
Na 5ª série, uma professora substituta, de repente entrou na sala, a sua presença provocou uma estranheza no ambiente. Essa professora trazia o livro “A Bolsa Amarela” e começou a ler em voz alta para a turma que, no entanto, não estava acostumada com esse tipo de prática dos professores. Todos estavam prestando atenção na estória, mas outra coisa que chamava a atenção de todos, sobretudo a minha, era o fato da sua pele ser negra, e também por ser gorda, fugindo totalmente dos padrões sociais de quem ocupa lugares de poder, como é o lugar do professor. O que me intrigou foi o fato de uma pessoa com essas características físicas estar ministrando uma aula de Português, algo que eu nunca tinha visto antes. Ao vê-la nesse lugar, me senti representada, finalmente.
Durante a minha pré-adolescência, costumava assistir à televisão a maior parte do tempo. Via desenhos, filmes e vários outros programas. Certa vez, uma bibliotecária da escola onde eu estudava me indicou um livro chamado “O Estudante”, que me marcou muito, pois se tratava de um livro sobre o envolvimento de jovens no mundo das drogas e suas consequências. Por conta da leitura desse livro, passei a me interessar por leituras que representam a realidade dura das pessoas.
Apesar de toda essa trajetória no campo da leitura, eu me considero uma criança que não tinha o hábito de ler, pois não tive muito incentivo da escola e de meus pais (por minha mãe ter estudado apenas até a quarta série), mas ela me ajudava naquilo em que podia. Sou muito grata a ela por isso.
Recentemente li em um livro que relata o seguinte: os alunos que possuem pais leitores tendem a ler mais e ter um melhor desempenho nas atividades escolares, enquanto os que não possuem pais leitores tendem a ter um desempenho menor e um menor hábito de leitura. Diante disso, pretendo incentivar a leitura aos meus futuros alunos e filhos para que possuam uma bagagem de conhecimentos que os oriente tanto na vida quanto na escola.

Andressa Gomes

sábado, 24 de junho de 2017

PEDAÇOS DA INFÂNCIA

Lembro-me da minha infância como se fosse hoje, dos momentos que não se foram por chegar a vida adulta. Ao recordar me vem à mente as memórias que marcaram a minha vida. 
Quando comecei a estudar, eu morava bem perto da escola, a cerca de cinquenta metros e foi muito especial essa fase da minha vida. Eu fazia a Primeira Série do Fundamental e ainda, à tarde, ia para o Pré, mas era mesma para brincar — o que criança mais gosta de fazer — para desenhar e também ia mais para comer. Danado! Lembro-me de que eu era muito travesso, brigava com os meus colegas de sala de aula e eu, como sempre, era castigado pela professora, com puxões de orelha, mas mesmo assim não “dava jeito”, e com isso o tempo foi passando e eu não mudava de série, só os meus colegas que passavam. O fundamental eu repeti todos. 
Demorei muito a aprender a ler e me lembro que para passar para uma outra lição, de tanto a minha professora repetir para mim, eu decorava e assim seguia para outra. E ela fazia isso logo no início da aula, para minha tortura. Eu era o mais velho da turma e era o rei da sala, ninguém mexia comigo, eu só tinha medo da professora, porque o resto me respeitava. Um dia eu arranquei o dente da frente do meu colega com um tapa. O caso aconteceu assim: Tínhamos saído para o recreio, e a merenda era, como de costume, arroz solto com ervilha e era mania da turma jogar arroz um no outro com a colher: a colher era de plástico, flexível, dava para puxar para trás como se fosse um baladeira, e num tom de brincadeira assim eu fiz e meu colega que naquele momento já era o meu arqui-rival, veio com uma pedra na mão para me acertar e eu logo me esquivei e infelizmente numa súbita reação quebrei o dente da frente do meu colega de sala. Como criança não guarda mágoa, tudo passou. E ainda bem que a professora não soube — nem me lembro se soube ou não — me vendo e acho graça de como eu fui na infância. 
Passaram-se os anos e a minha família mudou para outra comunidade que fica três quilômetros da escola e, por esse tempo, quando eu ia de casa para a escola, acordava cedo para tomar banho na água gelada do igarapé, chega me entortava todo de frio. 
Minha vida nesse período não era boa, muitas ou quase sempre eu tomava café com farinha como lanche da manhã — era o que tinha, antes de ir para escola. Eu sou de filho de uma família humilde do interior e, apesar das dificuldades, nunca desisti. Quando terminava a aula eu vinha no sol do meio dia — quente demais. Muitas vezes eu joguei os meus livros na água e dizia para a professora que tinha perdido ou molhado. Essa escola não tinha biblioteca, e quando mudei de lá, foi o momento que eu passei a ter contato com livros literários.
Nesse novo episódio da minha vida eu já sabia ler e foi aí que comecei a levar livros para casa, porém já estava crescido, quase adulto, e não li literatura infantil. O que livro que li várias vezes foi o livro de Fernando Sabino: Martini Seco e nunca mais parei. Fora os livros da biblioteca, tinha meu avô, com suas histórias e “causos”. Quando ele tomava alguns goles de pinga seu estro poético aflorava, e eu gostava de ouvi-lo bastante, e com o fruto das leituras e as histórias de meu avô eu tive inspiração para começar a escrever meus próprios poemas.

Não sei se é talento
Ou se vem da genética,
Só sei que no pensamento
Flui a arte poética(...).










Cleyson José Soares de Oliveira

terça-feira, 13 de junho de 2017

Uma barata muito charmosa

Quando tento me lembrar da minha tenra infância, não tenho memórias claras de momentos de contação de histórias ou cantigas, sei que eles aconteciam, mas não me vêm à memória. Mas me recordo do meu tempo escolar.
Lembro-me da minha professora da segunda série, Tia Glória, (naquela época ainda era permitido tratar as professoras como tia), uma senhorinha, já no fim de sua carreira como professora e que gostava de contar histórias, minha favorita era a da Dona Baratinha, não sei porque gostava tanto de uma narrativa sobre uma barata que usava fita no cabelo e guardava o dinheiro em uma caixinha; porém, era a minha favorita. Gostava tanto que acabamos montando uma encenação para toda a escola, e eu, obviamente, fui a Dona Baratinha.
Alguns anos depois, já alfabetizada, comecei a ter acesso a livros literários, não me recordo qual foi o primeiro, mas me lembro que depois de ler “A hora da verdade, de Pedro Bandeira”, comecei a me interessar cada vez mais e busquei conhecer outras histórias.
Durante minhas férias escolares costumava viajar com minha família para a fazenda de minha avó materna, lá não havia energia elétrica por ser distante da cidade, eu aproveitava o silêncio para ler, devorava um livro após o outro, cheguei a ler sete livros em quinze dias. Essa era minha diversão.
Hoje continuo apaixonada por livros, confesso que leio menos que antes, mas sempre que posso busco algo novo para ler. Os livros me ensinaram a sonhar, a ver o mundo por outra perspectiva e essa é uma paixão que pretendo passar para futuras gerações.

Nayara Costa Araujo