Recordo-me que, na época em
que comecei a estudar, com sete para oito anos, minha mãe me acordava muito
cedo sempre escutando a Rádio Terra, que dizia bem-humorada para as crianças
não se atrasarem para a escola. A minha relação com a primeira escola foi
agradável, porém eu tinha dificuldades para acompanhar algumas matérias,
principalmente Matemática.
Entre a passagem da primeira
para a segunda escola, tive uma experiência de aprendizagem com minha mãe, que
me ensinava caligrafia e minha prima, que me ensinou a ler complementando o
papel da escola, já que nesse período eu não frequentava o ambiente escolar,
por motivos que não me recordo.
Quando eu tinha mais ou
menos de nove para dez anos, entrei na minha segunda escola. Nesta Instituição
os professores usavam uma cartilha didática que continha estórias e lendas que
eram seguidas por exercícios que orientavam a aprendizagem do aluno (até quatro
anos atrás eu ainda tinha essa cartilha). Lembro-me de que na 3ª série
o professor de matemática pediu para os alunos que encaixassem alguma música
para a aprendizagem da tabuada e eu inventei a música “2x2=4
indiozinhos,2x3=6...” e, claro, tive que cantar em sala de aula. Essa
experiência foi interessante porque estimulou a criatividade dos alunos relacionando
a música com a matéria.
Na 5ª série, uma professora
substituta, de repente entrou na sala, a sua presença provocou uma estranheza
no ambiente. Essa professora trazia o livro “A Bolsa Amarela” e começou a ler
em voz alta para a turma que, no entanto, não estava acostumada com esse tipo
de prática dos professores. Todos estavam prestando atenção na estória, mas
outra coisa que chamava a atenção de todos, sobretudo a minha, era o fato da
sua pele ser negra, e também por ser gorda, fugindo totalmente dos padrões
sociais de quem ocupa lugares de poder, como é o lugar do professor. O que me
intrigou foi o fato de uma pessoa com essas características físicas estar
ministrando uma aula de Português, algo que eu nunca tinha visto antes. Ao
vê-la nesse lugar, me senti representada, finalmente.
Durante a minha
pré-adolescência, costumava assistir à televisão a maior parte do tempo. Via
desenhos, filmes e vários outros programas. Certa vez, uma bibliotecária da
escola onde eu estudava me indicou um livro chamado “O Estudante”, que me
marcou muito, pois se tratava de um livro sobre o envolvimento de jovens no
mundo das drogas e suas consequências. Por conta da leitura desse livro, passei
a me interessar por leituras que representam a realidade dura das pessoas.
Apesar de toda essa
trajetória no campo da leitura, eu me considero uma criança que não tinha o
hábito de ler, pois não tive muito incentivo da escola e de meus pais (por
minha mãe ter estudado apenas até a quarta série), mas ela me ajudava naquilo
em que podia. Sou muito grata a ela por isso.
Recentemente li em um livro
que relata o seguinte: os alunos que possuem pais leitores tendem a ler mais e
ter um melhor desempenho nas atividades escolares, enquanto os que não possuem
pais leitores tendem a ter um desempenho menor e um menor hábito de leitura.
Diante disso, pretendo incentivar a leitura aos meus futuros alunos e filhos
para que possuam uma bagagem de conhecimentos que os oriente tanto na vida
quanto na escola.
Andressa Gomes