quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Memórias

Quando penso na minha infância e na relação desta com a literatura, uma das lembranças mais remotas que me vêm à mente é a de meus pais, que desde pequenina influenciava em casa a prática e o acesso à cultura.
Hoje, aos meus dezoito anos e meio de idade, lembro dos momentos que passei há anos atrás com muita gratidão e ausência. Talvez esse elo de sentimentos surge no momento que percebo que não voltará mais ou quando tenho que carregar o peso de ter que ser alguém sabendo que tudo que vivi contribuirá para meu crescimento.
Meu pai é meu melhor amigo e por me levar em teatros mensalmente, o da estrelinha marcou minha infância, não me recordo bem mas tentei procura-lo por muito tempo e desisti, talvez o maior encanto seja ver tudo com um olhar de criança. Desde então começou a me chamar de estrelinha, sim, uma estrelinha que tem um brilho especial, mas que às vezes por tentar se enquadrar no céu azul, apaga sua luz interior.
Lembro-me bem de ver meu pai chegando em casa, com seu corpo cansado, sua roupa amassada após mais um dia de exaustão, mas com os olhos radiantes e esperançosos, e como de costume, nos chamava para ver pôr do sol. Ou quantas vezes acabava a energia em casa e nos reuníamos na sala de estar para contar histórias, recitar poemas, nos apresentar músicas antigas com uma sensibilidade de tocar o fundo da alma.
Lembro de minha querida mãezinha, que é também minha melhor amiga, deitar-se ao final da tarde na minha cama e contar historinhas de contos de fadas, todos os contos possíveis e quando esquecia, inventava e as horas passavam rapidamente. E que um dia, percebendo que eu estava triste, deitou-se na minha cama e disse “filha, se estiver feliz escreva, cante; se estiver triste, ora”. Que conselho forte, uau!
Essas são lembranças significativas para mim e é um orgulho lembra-las com gratidão, pois eu era uma criança solitária e até hoje meu refúgio ainda é a literatura.

Eneida de Castro Silva


2 comentários:

  1. Esse texto tocou meu coração.A autora está de parabéns

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  2. Belo texto, só poderia vir dessa pessoa incrível que conheço a faz tempo. Por pouco tempo de leitura consegui imaginar como seria viver com sua familia. Parabéns Neidinha

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