Lembro-me da minha
infância como se fosse hoje, dos momentos que não se foram por chegar a vida
adulta. Ao recordar me vem à mente as memórias que marcaram a minha vida.
Quando comecei a
estudar, eu morava bem perto da escola, a cerca de cinquenta metros e foi muito
especial essa fase da minha vida. Eu fazia a Primeira Série do Fundamental e
ainda, à tarde, ia para o Pré, mas era mesma para brincar — o que criança mais
gosta de fazer — para desenhar e também ia mais para comer. Danado! Lembro-me
de que eu era muito travesso, brigava com os meus colegas de sala de aula e eu,
como sempre, era castigado pela professora, com puxões de orelha, mas mesmo
assim não “dava jeito”, e com isso o tempo foi passando e eu não mudava de
série, só os meus colegas que passavam. O fundamental eu repeti todos.
Demorei muito a
aprender a ler e me lembro que para passar para uma outra lição, de tanto a
minha professora repetir para mim, eu decorava e assim seguia para outra. E ela
fazia isso logo no início da aula, para minha tortura. Eu era o mais velho da
turma e era o rei da sala, ninguém mexia comigo, eu só tinha medo da
professora, porque o resto me respeitava. Um dia eu arranquei o dente da frente
do meu colega com um tapa. O caso aconteceu assim: Tínhamos saído para o recreio,
e a merenda era, como de costume, arroz solto com ervilha e era mania da turma
jogar arroz um no outro com a colher: a colher era de plástico, flexível, dava
para puxar para trás como se fosse um baladeira, e num tom de brincadeira assim
eu fiz e meu colega que naquele momento já era o meu arqui-rival, veio com uma
pedra na mão para me acertar e eu logo me esquivei e infelizmente numa súbita
reação quebrei o dente da frente do meu colega de sala. Como criança não guarda
mágoa, tudo passou. E ainda bem que a professora não soube — nem me lembro se
soube ou não — me vendo e acho graça de como eu fui na infância.
Passaram-se os anos
e a minha família mudou para outra comunidade que fica três quilômetros da
escola e, por esse tempo, quando eu ia de casa para a escola, acordava cedo
para tomar banho na água gelada do igarapé, chega me entortava todo de
frio.
Minha vida nesse
período não era boa, muitas ou quase sempre eu tomava café com farinha como
lanche da manhã — era o que tinha, antes de ir para escola. Eu sou de filho de
uma família humilde do interior e, apesar das dificuldades, nunca desisti.
Quando terminava a aula eu vinha no sol do meio dia — quente demais. Muitas
vezes eu joguei os meus livros na água e dizia para a professora que tinha
perdido ou molhado. Essa escola não tinha biblioteca, e quando mudei de lá, foi
o momento que eu passei a ter contato com livros literários.
Nesse novo episódio
da minha vida eu já sabia ler e foi aí que comecei a levar livros para casa,
porém já estava crescido, quase adulto, e não li literatura infantil. O que
livro que li várias vezes foi o livro de Fernando Sabino: Martini Seco e nunca
mais parei. Fora os livros da biblioteca, tinha meu avô, com suas histórias e
“causos”. Quando ele tomava alguns goles de pinga seu estro poético aflorava, e
eu gostava de ouvi-lo bastante, e com o fruto das leituras e as histórias de
meu avô eu tive inspiração para começar a escrever meus próprios poemas.

Não
sei se é talento
Ou se
vem da genética,
Só sei
que no pensamento
Flui a
arte poética(...).
Cleyson
José Soares de Oliveira
Gostei de ver sua história agora se tornar pública. A foto também está muito legal!
ResponderExcluirMuito bom, me vi na tua história. Meu avô também gostava de causos(ar) depois de tomar uma Cangaceiro do Norte!
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