Escrever sobre minha infância não é nada
fácil para mim. São muitas memórias reprimidas, muitas coisas que não lembro
mais. Mas quando penso em literatura, lembro primeiramente das estórias e
histórias que meu pai me contava quase todas as noites antes de dormirmos. Ele
inventava a maioria das estórias, e eu achava interessante a forma como ele
atribuía características humanas aos animais. A estória que eu melhor me
recordo é a do “tatuzinho”. Ele nunca concluía uma estória em uma noite, sempre
as cortando em um momento de grande suspense, me deixando ansioso para saber o
que aconteceria no próximo capítulo. Foi assim com a do “tatuzinho” também.
Lembro-me de quando eu estava ainda no
segundo ano do ensino fundamental, e participei de uma olimpíada de tabuada na
escola cujo prêmio para o primeiro colocado era um carrinho magnífico. Eu me
esforcei bastante para conseguir vencer e levar para casa aquele tão desejado
brinquedo, mas acabei ficando em segundo lugar e levei para casa como prêmio um
livro. Esse foi o primeiro contato que eu me lembro de ter com um livro de
literatura. Fiquei muito decepcionado, pois eu não queria um livro e, sim, o
carrinho. O livro era “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”. Comecei a
ler e achei a leitura muito difícil. Eu não entendia o significado da maior
parte das palavras, e desisti de concluir a leitura. Nesse mesmo período de
tempo, o meu irmão ganhou uma coleção de livros literários na escola, leu
alguns e gostou muito. Ao ver que ele gostou, peguei alguns livros com
recomendação dele para ler e desses eu gostei muito. O principal deles contava
a estória de “Alice no país das maravilhas”.
A partir do 5º ano do ensino
fundamental, eu mudei de escola. Essa nova escola tinha um grande diferencial
em relação à anterior: uma biblioteca! Eu nunca tinha entrado em uma antes, e
por mais simples que aquela biblioteca era, eu fiquei surpreso! Um dos livros
que mais me chamou atenção, foi “Zoom”, de Istvan Banyai. Era um livro
ilustrativo que não tinha qualquer texto. Mas as ilustrações faziam minha
imaginação trabalhar muito. Fiquei várias horas folheando aquele livro. O autor
mostrava em cada página a mesma imagem de uma perspectiva mais distante.
Mesmo estando em uma escola com
biblioteca, os professores de Língua Portuguesa não incentivaram os alunos a
fazerem um bom proveito desse recurso, fazendo com que a biblioteca se tornasse,
para mim, um ambiente para quando não tinha alguma aula (o que acontecia com
muita frequência). Nesse período, o que eu mais lia eram os gibis. Personagens
da turma da Mônica e do Zé Carioca marcaram muito a minha infância.
Enfim, essa foi a minha relação com a
literatura na infância, com dificuldades com as palavras, com amor pelas
palavras, com ausência de estímulo ao hábito da leitura em grande parte das
escolas. Espero poder fazer a diferença no mundo das Letras quando eu me formar.
EzequieI FaIeiro

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