sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Infância e Literatura

Escrever sobre minha infância não é nada fácil para mim. São muitas memórias reprimidas, muitas coisas que não lembro mais. Mas quando penso em literatura, lembro primeiramente das estórias e histórias que meu pai me contava quase todas as noites antes de dormirmos. Ele inventava a maioria das estórias, e eu achava interessante a forma como ele atribuía características humanas aos animais. A estória que eu melhor me recordo é a do “tatuzinho”. Ele nunca concluía uma estória em uma noite, sempre as cortando em um momento de grande suspense, me deixando ansioso para saber o que aconteceria no próximo capítulo. Foi assim com a do “tatuzinho” também.
Lembro-me de quando eu estava ainda no segundo ano do ensino fundamental, e participei de uma olimpíada de tabuada na escola cujo prêmio para o primeiro colocado era um carrinho magnífico. Eu me esforcei bastante para conseguir vencer e levar para casa aquele tão desejado brinquedo, mas acabei ficando em segundo lugar e levei para casa como prêmio um livro. Esse foi o primeiro contato que eu me lembro de ter com um livro de literatura. Fiquei muito decepcionado, pois eu não queria um livro e, sim, o carrinho. O livro era “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”. Comecei a ler e achei a leitura muito difícil. Eu não entendia o significado da maior parte das palavras, e desisti de concluir a leitura. Nesse mesmo período de tempo, o meu irmão ganhou uma coleção de livros literários na escola, leu alguns e gostou muito. Ao ver que ele gostou, peguei alguns livros com recomendação dele para ler e desses eu gostei muito. O principal deles contava a estória de “Alice no país das maravilhas”.
A partir do 5º ano do ensino fundamental, eu mudei de escola. Essa nova escola tinha um grande diferencial em relação à anterior: uma biblioteca! Eu nunca tinha entrado em uma antes, e por mais simples que aquela biblioteca era, eu fiquei surpreso! Um dos livros que mais me chamou atenção, foi “Zoom”, de Istvan Banyai. Era um livro ilustrativo que não tinha qualquer texto. Mas as ilustrações faziam minha imaginação trabalhar muito. Fiquei várias horas folheando aquele livro. O autor mostrava em cada página a mesma imagem de uma perspectiva mais distante.
Mesmo estando em uma escola com biblioteca, os professores de Língua Portuguesa não incentivaram os alunos a fazerem um bom proveito desse recurso, fazendo com que a biblioteca se tornasse, para mim, um ambiente para quando não tinha alguma aula (o que acontecia com muita frequência). Nesse período, o que eu mais lia eram os gibis. Personagens da turma da Mônica e do Zé Carioca marcaram muito a minha infância.
Enfim, essa foi a minha relação com a literatura na infância, com dificuldades com as palavras, com amor pelas palavras, com ausência de estímulo ao hábito da leitura em grande parte das escolas. Espero poder fazer a diferença no mundo das Letras quando eu me formar.

EzequieI FaIeiro

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