Quando penso na minha infância e na
relação desta com a literatura, uma das lembranças mais remotas que me vêm à
mente é a de meus pais, que desde pequenina influenciava em casa a prática e o
acesso à cultura.
Hoje, aos meus dezoito anos e meio de
idade, lembro dos momentos que passei há anos atrás com muita gratidão e
ausência. Talvez esse elo de sentimentos surge no momento que percebo que não
voltará mais ou quando tenho que carregar o peso de ter que ser alguém sabendo
que tudo que vivi contribuirá para meu crescimento.
Meu pai é meu melhor amigo e por me
levar em teatros mensalmente, o da estrelinha marcou minha infância, não me
recordo bem mas tentei procura-lo por muito tempo e desisti, talvez o maior
encanto seja ver tudo com um olhar de criança. Desde então começou a me chamar
de estrelinha, sim, uma estrelinha que tem um brilho especial, mas que às vezes
por tentar se enquadrar no céu azul, apaga sua luz interior.
Lembro-me bem de ver meu pai chegando em
casa, com seu corpo cansado, sua roupa amassada após mais um dia de exaustão,
mas com os olhos radiantes e esperançosos, e como de costume, nos chamava para
ver pôr do sol. Ou quantas vezes acabava a energia em casa e nos reuníamos na
sala de estar para contar histórias, recitar poemas, nos apresentar músicas
antigas com uma sensibilidade de tocar o fundo da alma.
Lembro de minha querida mãezinha, que é
também minha melhor amiga, deitar-se ao final da tarde na minha cama e contar
historinhas de contos de fadas, todos os contos possíveis e quando esquecia,
inventava e as horas passavam rapidamente. E que um dia, percebendo que eu
estava triste, deitou-se na minha cama e disse “filha, se estiver feliz
escreva, cante; se estiver triste, ora”. Que conselho forte, uau!
Essas são lembranças significativas para
mim e é um orgulho lembra-las com gratidão, pois eu era uma criança solitária e
até hoje meu refúgio ainda é a literatura.
Eneida de Castro Silva

Esse texto tocou meu coração.A autora está de parabéns
ResponderExcluirBelo texto, só poderia vir dessa pessoa incrível que conheço a faz tempo. Por pouco tempo de leitura consegui imaginar como seria viver com sua familia. Parabéns Neidinha
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