terça-feira, 4 de julho de 2017

Época escolar

Recordo-me que, na época em que comecei a estudar, com sete para oito anos, minha mãe me acordava muito cedo sempre escutando a Rádio Terra, que dizia bem-humorada para as crianças não se atrasarem para a escola. A minha relação com a primeira escola foi agradável, porém eu tinha dificuldades para acompanhar algumas matérias, principalmente Matemática.
Entre a passagem da primeira para a segunda escola, tive uma experiência de aprendizagem com minha mãe, que me ensinava caligrafia e minha prima, que me ensinou a ler complementando o papel da escola, já que nesse período eu não frequentava o ambiente escolar, por motivos que não me recordo.
Quando eu tinha mais ou menos de nove para dez anos, entrei na minha segunda escola. Nesta Instituição os professores usavam uma cartilha didática que continha estórias e lendas que eram seguidas por exercícios que orientavam a aprendizagem do aluno (até quatro anos atrás eu ainda tinha essa cartilha). Lembro-me de que na 3ª série o professor de matemática pediu para os alunos que encaixassem alguma música para a aprendizagem da tabuada e eu inventei a música “2x2=4 indiozinhos,2x3=6...” e, claro, tive que cantar em sala de aula. Essa experiência foi interessante porque estimulou a criatividade dos alunos relacionando a música com a matéria.
Na 5ª série, uma professora substituta, de repente entrou na sala, a sua presença provocou uma estranheza no ambiente. Essa professora trazia o livro “A Bolsa Amarela” e começou a ler em voz alta para a turma que, no entanto, não estava acostumada com esse tipo de prática dos professores. Todos estavam prestando atenção na estória, mas outra coisa que chamava a atenção de todos, sobretudo a minha, era o fato da sua pele ser negra, e também por ser gorda, fugindo totalmente dos padrões sociais de quem ocupa lugares de poder, como é o lugar do professor. O que me intrigou foi o fato de uma pessoa com essas características físicas estar ministrando uma aula de Português, algo que eu nunca tinha visto antes. Ao vê-la nesse lugar, me senti representada, finalmente.
Durante a minha pré-adolescência, costumava assistir à televisão a maior parte do tempo. Via desenhos, filmes e vários outros programas. Certa vez, uma bibliotecária da escola onde eu estudava me indicou um livro chamado “O Estudante”, que me marcou muito, pois se tratava de um livro sobre o envolvimento de jovens no mundo das drogas e suas consequências. Por conta da leitura desse livro, passei a me interessar por leituras que representam a realidade dura das pessoas.
Apesar de toda essa trajetória no campo da leitura, eu me considero uma criança que não tinha o hábito de ler, pois não tive muito incentivo da escola e de meus pais (por minha mãe ter estudado apenas até a quarta série), mas ela me ajudava naquilo em que podia. Sou muito grata a ela por isso.
Recentemente li em um livro que relata o seguinte: os alunos que possuem pais leitores tendem a ler mais e ter um melhor desempenho nas atividades escolares, enquanto os que não possuem pais leitores tendem a ter um desempenho menor e um menor hábito de leitura. Diante disso, pretendo incentivar a leitura aos meus futuros alunos e filhos para que possuam uma bagagem de conhecimentos que os oriente tanto na vida quanto na escola.

Andressa Gomes

Um comentário:

  1. Gostei da história da tua infância. Cada infância tem sua forma de nos chamar a atenção.

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