

Cresci muito
envolta a livros de capa dura com máquinas mecânicas estampadas, em meio a
revistas tecnológicas e muitos artigos espalhados pela casa. Quando abria
qualquer um destes, me encontrava perdida em meio a fórmulas e palavras que ao
meu ver, pareciam indecifráveis. Como meu pai conseguia ler tamanha confusão?
Este, para mim, era
o único modo como os adultos liam. Liam por obrigação: para concluir uma
faculdade, para ter conhecimento sobre determinado assunto, para ter um manual
em suas mãos. Mal sabia eu das aventuras que poderíamos encontrar em certos livros.
Até me deparar com um determinado livro em minha frente. Foi mágico.
Era um grande e
volumoso livro, cheio de brilho, pássaros, borboletas e crianças. Minha mãe
havia comprado para meu irmão mais velho, este que era o único dos três filhos
que sabia ler. Ele abria o livro e meus olhos brilhavam, imaginava que aquela
ação de ler o “livro mágico” deveria ser a mais maravilhosa sensação.
Era um livro cheio
de figuras, por isso eu dedicava horas folheando as páginas pesadas daquele
grande livro. Como não sabia ler, criava pequenas histórias em minha cabeça.
Minha mãe via meu
esforço em tentar desvendar aqueles mágicos contos, então ela os lia para mim,
bem devagar, para eu me deliciar com aqueles incríveis enredos.
Assim foi minha
rotina nos meses seguintes, nada do que eu gostasse mais do que passar o tempo
com “meu” grande livro. Até eu aprender a ler e começar a decifrar as histórias
que, nessa altura, já sabia de cor.
Aquele foi um
início de uma vasta experiência com mágicos livros. Cada um dos que vieram
adiante, tiveram suas ótimas particularidades, no entanto, nenhum superou o
encanto daquele livro infantil com uma inocente garotinha.
Raquel Sforni Mota

Linda história e ilustrações cuidadosas. Sua foto está especial. Adorei ver seu texto publicado.
ResponderExcluirMuito legal sua história. Sempre há um livro mágico da vida.
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