sexta-feira, 9 de junho de 2017

O tesouro de minha infância



Cresci muito envolta a livros de capa dura com máquinas mecânicas estampadas, em meio a revistas tecnológicas e muitos artigos espalhados pela casa. Quando abria qualquer um destes, me encontrava perdida em meio a fórmulas e palavras que ao meu ver, pareciam indecifráveis. Como meu pai conseguia ler tamanha confusão?
Este, para mim, era o único modo como os adultos liam. Liam por obrigação: para concluir uma faculdade, para ter conhecimento sobre determinado assunto, para ter um manual em suas mãos. Mal sabia eu das aventuras que poderíamos encontrar em certos livros. Até me deparar com um determinado livro em minha frente. Foi mágico.
Era um grande e volumoso livro, cheio de brilho, pássaros, borboletas e crianças. Minha mãe havia comprado para meu irmão mais velho, este que era o único dos três filhos que sabia ler. Ele abria o livro e meus olhos brilhavam, imaginava que aquela ação de ler o “livro mágico” deveria ser a mais maravilhosa sensação.
Era um livro cheio de figuras, por isso eu dedicava horas folheando as páginas pesadas daquele grande livro. Como não sabia ler, criava pequenas histórias em minha cabeça.
Minha mãe via meu esforço em tentar desvendar aqueles mágicos contos, então ela os lia para mim, bem devagar, para eu me deliciar com aqueles incríveis enredos.
Assim foi minha rotina nos meses seguintes, nada do que eu gostasse mais do que passar o tempo com “meu” grande livro. Até eu aprender a ler e começar a decifrar as histórias que, nessa altura, já sabia de cor.
Aquele foi um início de uma vasta experiência com mágicos livros. Cada um dos que vieram adiante, tiveram suas ótimas particularidades, no entanto, nenhum superou o encanto daquele livro infantil com uma inocente garotinha.

Raquel Sforni Mota

2 comentários:

  1. Linda história e ilustrações cuidadosas. Sua foto está especial. Adorei ver seu texto publicado.

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  2. Muito legal sua história. Sempre há um livro mágico da vida.

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