

Lembro-me
de quando a minha mãe teria que chegar tarde do trabalho, e então a minha avó
cantava canções de ninar para eu dormir, me lembro de como era bom ouvi-la
cantar, o aconchego que a voz dela me trazia. Às vezes ela esquecia as letras
das músicas e inventava as suas próprias canções; que, para mim, eram as melhores.
E me lembro também que foi essa mesma avó que me ensinou a ler, mesmo antes da
escola, e que também me ajudava sempre que podia nas minhas atividades
escolares.
Agora recordo-me de
quando a minha outra avó costumava me contar histórias, na sua antiga casa em
Pires do Rio, aquela casa aconchegante, com cheiro de doces, com o corredor
enorme que me levava para a sala de livros, e de pisos gelados demais para se
andar descalço. Como uma boa professora, a minha avó sempre foi obcecada por
livros, tentava me incentivar a ouvir e entender as histórias, sempre lia para
mim, e o que eu mais gostava eram as nossas tardes de histórias, as tardes que
ela dedicava somente para me contá-las. Ela se sentava na cadeira e eu me
sentava no sofá, cheia de vontade de ouvi-la contar e ao mesmo tempo encenar
aquelas histórias. E quase sempre eu ganhava alguns doces e bolachas para
acompanhar. Foi essa mesma avó que me deu o meu primeiro livro; “O pequeno
príncipe”.
Então, sendo assim,
sei que tenho as melhores avós do mundo, e que tenho muita sorte de tê-las
perto de mim, me auxiliando e ensinando sempre que podem. Sem contar os doces e
biscoitos maravilhosos que elas sabem fazer, são tão saborosos quanto as
histórias sempre cheias de vida!
Julia Figueiredo

Amei! Texto e imagens!
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