Lembro-me de entrar
numa escola, tinha apenas seis anos e foi quando eu cheguei na sala da
pré-alfabetização. Na época eu chorava muito, parecia uma cachoeira, o barulho
que soava de minha boca era como uma buzina de caminhão, irritante. Minha mãe
teve que ficar alguns dias comigo na sala até eu me acostumar.
A minha professora
era muito legal e, acima de tudo, inteligente, andava sempre de cabelo curto,
brincos e usava bastante batom na boca. Lembro-me de um livro que ela começou a
ler no segundo semestre chamado “A vaca voadora” de Edy Lima e cada dia ela lia
um capítulo.
Eu e meus colegas
sempre ficávamos ansiosos para saber o que aconteceria no enredo da história no
outro dia. Hoje vejo que ela lia este livro para que nós adquiríssemos gosto
pela leitura, para liberar nossa imaginação, “E não é que deu certo! ”. No
final do semestre letivo ela pediu que nos colocássemos no lugar de Lalau
(Personagem principal da história) e que fizéssemos uma redação com o tema “O
que você faria no lugar de Lalau”. Todos os alunos, inclusive eu, fizemos uma
produção textual que não ficou em menos de três páginas. Eu via o brilho no
rosto da professora, e que seu trabalho e empenho tinham sido concluídos com
êxito. Pode até parecer pouco o simples fato de ler para os seus alunos, mas é
um gesto desprovido de cobranças, não tínhamos que fazer uma prova, tinha que
nos sentir como o personagem protagonista da obra.
Lembro-me pouco
daquela história, mas isso marcou muito a minha vida no processo da aquisição
da escrita e do incentivo para a leitura.
Autor: Danicley Gomes

Adorei. Texto e foto. Ajudem a divulgar esse blogue, galera!
ResponderExcluirObrigado professora, com toda a certeza!
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