Há algum tempo
aprendi a ler com uma professora que nem lembro do nome e era ela quem me
encantava e me fazia amar os livros com suas historinhas que me faziam sonhar e
as músicas infantis. Recordo que algumas das professoras que tive diziam que
“podemos conhecer qualquer lugar do mundo sem ir lá pessoalmente”, e eu
acreditei, sonhei e viajei, conheci o meu Brasil, sua vegetação, o seu clima
variado, a cultura que é muito vasta dentre outras coisas; depois fui a outros
países; Portugal, Holanda...o país das bicicletas; fui à França, lá conheci a
linda Paris; fui também até a China, conheci depois a Austrália e seus
cangurus...fui a tantos lugares sem precisar comprar passagem, meu passe livre
era a leitura e ela me fazia ir a outros mundos, até imaginá-los se eu quisesse.
Recordo que em
minha infância estudei em uma escola muito simples, era a única escola de um
município que acabara de ser criado; a estruturada da escola era de madeira e
seu teto muito antigo, suponho que quando chovia tinha goteiras; lembro-me que
as cadeiras eram de madeira e as poucas que tinha faltavam alguma parte. Talvez
o chão fosse de cimento queimado, minha memória tem falhas, nesse lugar eu tive
alguns professores, a mudança era constante...era difícil dar aulas ali, alguns
desistiam.
Sempre que penso
nesse lugar lembro da música: “ A casa”, do Vinícius de Moraes que diz “era uma
casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...” e aquela escola era
mais ou menos assim; para mim estava longe de ser uma escola, mas era lá que eu
tentava estudar...era difícil, mas eu tentava, eu ficava feliz porque eu sabia
ler e talvez eu fosse a única dali que soubesse.
Existe um momento
que ocorreu naquela escola em que me falei para minhas colegas: “ O pato pateta
pintou o caneco, surrou a galinha, bateu no marreco...” e nunca esqueci dessa
música porque foi nesse momento que recordo que naquela única sala estudavam
alunos de várias idades desde os 7 até os 16, 17 anos e muitos não sabiam ler.
Entretanto, foi a
leitura que me fez sonhar com uma escola que não era aquela, porque aquela “era
uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...”, mas eu tive uma
professora em uma outra escola que foi capaz de me fazer ler não só as letras,
mas o mundo.
Katiele Ribeiro Oliveira
Katiele Ribeiro Oliveira

Aqui jaz uma escritora que tem seu talento no pensamento, que pelas experiências da vida pode levar seus futuros leitores também viajarem para outros lugares.
ResponderExcluirKatiele, foi prazeroso, para mim, ver seu texto tomar corpo, ser publicado nesse espaço que é de todos nós. Parabéns!
ResponderExcluirObrigada Micheline :). Você e outras pessoas da faculdade são inspiração pra mim.
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