
Quando criança,
relembro das vezes que ia dormir e meu pai, mesmo cansado ou desanimado,
acompanhava-me e se sentava na cama junto a mim. Momentos depois, a viagem se
iniciava... Viajávamos pelos campos do sertão, reinos distantes e fazendas
cheias de gado; acompanhava cada passo de Pedro Malasarte com extrema atenção e
ria sem cessar das façanhas que cometia.
Ah! Como era
intrigante saber que Pedro chegou a desafiar o próprio Padre e até mesmo o
próprio Rei. Era sensacional meu pai contando essas histórias que, por sua vez,
contaram para ele durante sua infância. Contos passados de geração a geração.
As alegrias não
acabavam na noite, elas se prolongavam durantes os sonhos e floresciam durante
as manhãs. No colégio, as professoras sempre organizavam pequenas peças
teatrais que envolviam histórias vinda de músicas como: "A barata diz que
tem 7 saias de filó, é mentira da Barata, ela tem é uma só, há há há, ho ho
ho, ela tem é uma só"; e: "Borboletinha, tá na cozinha, fazendo
chocolate para a Madrinha, poti poti, perna de pau, olho de vidro de nariz de
pica-pau..."
Agradeço a meus
pais pelas várias vezes que me incentivaram a ler pequenos livros. Épocas em
que íamos para a Bienal do Livro e comprávamos livretos de piada que não tinham
graça nenhuma para meus pais; mas, para mim, havia graça em cada frase lida.
Era como se não houvesse nada melhor do que aquilo.
Minhas experiências
só cresciam a cada texto que eu lia e minha paixão aumentava a cada página
virada; o cheiro dos livros se tornava único em cada título que passava por
minhas mãos.
Hoje, lembranças de
infância deixam saudades boas de serem sentidas, que trazem de volta meus
tempos de criança e deixam gosto de alegria. Mesmo com pouca experiência de
vida, trago comigo grandes histórias que, mesmo não sendo minhas, fazem-me ter
a oportunidade de voltar no tempo e reviver aquilo em pensamento.
Cada sorriso dado
foi motivado por um episódio de literatura, escrita e, principalmente, oral.
Histórias que
marcaram minha vida e ajudaram a lapidar minha personalidade fazem eu ter a
certeza de que infância é mesmo sinônimo de felicidade.
Tatyane Silveira da Rocha

Há, sem dúvida, uma escritora que eu, quando publicar seu livro, irei ser o primeiro a lê-lo.
ResponderExcluirTatyane, que bacana ver seu texto publicado. Também gostei de ver sua foto com seu pai, seu incentivador no ato de ler. Tenho certeza que você vai longe...
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